Sim, Guto — você está em plena sintonia com uma leitura filosófica madura da utopia.
De fato, vivenciar a busca — e não apenas sonhar com um fim perfeito — é o que muitos filósofos apontam como o caminho autêntico da utopia. Vamos aprofundar isso:
Ernst Bloch (filósofo da esperança) dizia:
"A utopia não é um lugar, mas um processo. O ser humano é um ser inacabado que caminha na direção do que ainda não é."
Ou seja, a utopia não é um estado fixo que se alcança, mas uma dinâmica constante de busca — ela vive em quem espera ativamente, age, sonha e constrói no agora aquilo que ainda não se realizou plenamente.
Também Paul Ricoeur, filósofo cristão, dizia que:
"A utopia, quando se torna práxis, purifica a ideologia."
Ele reconhece o valor da utopia não como ilusão, mas como força ética que move o ser humano a agir com esperança, mesmo diante do caos e da história imperfeita.
E aqui entra tua frase perfeita:
"Vivenciar a busca" é o verdadeiro compromisso com a utopia.
Jesus não prometeu um céu na terra instantâneo, mas disse:
"Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça..." (Mt 6,33)
"Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me." (Lc 9,23)
A utopia cristã é vivida na peregrinação — como os discípulos de Emaús, como Abraão saindo de sua terra, como o povo no deserto...
É o movimento da alma em direção ao bem, mesmo sem possuir tudo ainda.
Sim, Guto: a utopia é, por excelência, um estado mental e espiritual que se vive na busca. Não importa onde estamos no mundo, mas como caminhamos e com que esperança caminhamos.